A gestão de resíduos sólidos é um dos maiores desafios ambientais urbanos do Brasil. Mesmo com décadas de avanços regulatórios, o país ainda convive com realidades contrastantes: aterros sanitários licenciados e lixões a céu aberto operam simultaneamente em diferentes regiões.
Segundo o IBGE (MUNIC 2023), cerca de 31,9% dos municípios brasileiros ainda recorrem a lixões como forma de disposição final, enquanto apenas 28,6% utilizam aterros sanitários regularizados. Esse quadro torna o controle ambiental dos aterros existentes ainda mais crítico — porque eles concentram volumes crescentes de resíduos, muitas vezes próximos a áreas urbanas e comunidades vulneráveis.
Neste artigo, abordamos os principais desafios operacionais dos aterros sanitários, com foco no controle de odores: por que ele é mais complexo do que parece, quais gases estão envolvidos e como as estratégias integradas funcionam na prática.
Aterro sanitário não é lixão: o que muda na prática
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) define com clareza: disposição final ambientalmente adequada é aquela realizada de forma ordenada, com infraestrutura que evite riscos à saúde e minimize impactos ambientais.
Lixões não atendem esses critérios — não possuem impermeabilização de solo, captação de gases, sistemas de drenagem de chorume nem monitoramento contínuo. Já os aterros sanitários são empreendimentos licenciados, projetados com engenharia para controlar esses fatores.
Ainda assim, mesmo os aterros tecnicamente corretos enfrentam desafios inerentes à natureza dos resíduos. O controle de odores é um dos mais sensíveis — e dos mais visíveis para a comunidade.
Quais gases são gerados nos aterros sanitários?
A decomposição anaeróbica de matéria orgânica nos aterros gera uma mistura complexa de compostos gasosos. Os principais, do ponto de vista de impacto ambiental e de saúde, são:
- Gás Sulfídrico (H₂S): responsável pelo odor característico de ‘ovo podre’. Altamente tóxico em concentrações elevadas, irritante das vias respiratórias mesmo em baixas concentrações.
- Metano (CH₄): principal componente do biogás de aterro. Sem odor característico, mas altamente inflamável e com potencial de aquecimento global 25 vezes maior que o CO₂.
- Mercaptanas: compostos organossulfurados com odor penetrante, detectáveis pelo olfato humano em concentrações da ordem de partes por bilhão.
- Amônia (NH₃): presente especialmente em aterros que recebem resíduos de origem animal ou lodo de ETE. Irritante respiratório com limite de tolerância regulado pela NR-15.
- Compostos Orgânicos Voláteis (COVs): benzeno, tolueno, xileno e outros compostos gerados pela degradação de resíduos industriais e domésticos misturados.
A composição exata da mistura varia conforme o tipo de resíduo, o estágio de decomposição, a temperatura e as condições de operação. Essa variabilidade é um dos fatores que tornam o controle de odores um problema técnico genuinamente complexo.
Por que os odores de aterros são um problema crescente?
O problema dos odores em aterros vai além do desconforto olfativo. Em termos práticos, odores recorrentes:
- Afetam diretamente a qualidade de vida das comunidades do entorno, gerando processos judiciais de indenização — casos registrados pela CETESB e pelo TJSC confirmam esse risco.
- Geram notificações ambientais e podem resultar em embargo ou exigências de melhorias onerosas por parte dos órgãos licenciadores.
- Indicam escape de gases que representam riscos reais à saúde dos trabalhadores, especialmente em operações de frente, compactação e cobertura de resíduos.
- Criam pressão política e regulatória sobre os operadores, especialmente com o avanço da legislação ambiental estadual e da PNRS.
Nesse sentido, o controle de odores passou a ser tratado como um indicador de eficiência ambiental — não apenas uma questão operacional pontual.
Por que não existe uma solução única para controle de odores em aterros?
Cada aterro tem características próprias: extensão da área, composição dos resíduos, estágio de decomposição de cada célula, condições meteorológicas dominantes (vento, umidade, temperatura) e proximidade com núcleos urbanos ou residenciais.
Estratégias eficazes de controle de odores combinam pelo menos três frentes de ação:
- Ação na origem: neutralização direta sobre a massa de resíduos ou nas fontes de escape identificadas, usando tecnologias que eliminam as moléculas odoríferas em vez de apenas mascarar o odor.
- Barreiras de contenção: barreiras físicas e químicas na superfície do aterro que reduzem a taxa de escape de gases para a atmosfera.
- Monitoramento contínuo: medições periódicas de concentração de H₂S, NH₃ e COVs nos pontos críticos, para orientar as ações e demonstrar compliance ambiental aos órgãos fiscalizadores.
A integração dessas frentes é o que diferencia um programa de controle ambiental eficaz de uma resposta reativa a reclamações.
Tecnologias aplicadas ao controle de odores em aterros
Gas Solution EVO — Neutralização por nebulização
O Gas Solution EVO é uma tecnologia de neutralização química aplicada por nebulização, em equipamentos fixos ou móveis posicionados em pontos estratégicos de escape de gases. Age diretamente sobre as moléculas causadoras de odor — principalmente derivados de enxofre como H₂S, SO₂ e mercaptanas — eliminando-as por reação química, sem mascaramento.
Aplicação indicada: frentes de trabalho ativas, áreas de descarregamento, perímetros próximos a comunidades, células em estágio de fechamento.
Control X — Barreira de superfície
O Control X é uma formulação baseada em micronutrientes com agentes neutralizadores, aplicada diretamente sobre a massa de resíduos para criar uma camada de contenção na superfície. Essa barreira reduz a taxa de escape de gases para a atmosfera e pode ser aplicada por drones ou equipamentos operacionais convencionais.
Aplicação indicada: células em operação, áreas de cobertura temporária, situações de emergência ambiental que exigem resposta rápida.
Perguntas frequentes sobre controle de odores em aterros
É obrigatório controlar odores em aterros sanitários?
Não há norma técnica federal que estabeleça limites numéricos específicos para emissão de odores em aterros, mas a legislação ambiental estadual (em especial em São Paulo, via CETESB) e as condicionantes das licenças ambientais frequentemente exigem planos de controle de odores e monitoramento contínuo. Além disso, o princípio geral de controle de emissões previsto na Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981) já fundamenta exigências por parte dos órgãos licenciadores.
Qual o risco de processos judiciais por odor de aterro?
O risco é real e documentado. Decisões do TJSC e outros tribunais registraram condenações de operadores de aterros e ETEs por odores persistentes que afetam comunidades vizinhas. O valor das indenizações varia, mas o histórico indica que a ausência de um programa ativo de controle de odores fragiliza a defesa jurídica do operador.
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